O beijinho e a bicuda
Quando um time é melhor que o outro, o pior só vence se o melhor relaxar. Se os dois jogarem com o mesmo apetite, o melhor vence nove de dez jogos. No clássico de sábado, o Náutico entrou em campo focado na vitória. Semblantes irritados. Time pressionado por precisar vencer pra não ser ultrapassado pelo Santa Cruz. Jogadores tentando provar pra torcida, pro mercado e para si mesmos que são capazes de evoluir na carreira. Do outro lado, o time reserva do Sport. Nenhum titular das escolhas recentes de Soso. A partida, no primeiro tempo, teve velocidade, correria dos dois times, mas pouca criação e nenhuma defesa difícil dos goleiros. E um lance emblemático chamou minha atenção: numa disputa de bola, Pablo Dyego solta um beijinho debochado para Marco Antônio. O volante/meia do Náutico esbraveja e fica irritado com o atacante rubro-negro. De um lado, desdém. Do outro, raiva. Pro segundo tempo, Soso volta com dois titulares: Felipinho e Romarinho. O time da casa ameaça no giro de Paulo Sérgio, perto da trave direita. E marca na triangulação Arnaldo, Bárcia e Patrick Allan. Mariano coloca mais dois titulares: Lucas Lima e Castan. O Náutico fecha a casinha e termina o jogo num 5-3-2. Com direito a três zagueiros e três volantes. O Sport perde oportunidades com Vilhena, Romarinho e Ramon. Outro lance me chama à atenção: numa disputa de bola, Arnaldo do Náutico chega duro na dividida, dá uma bicuda pra arquibancada e vibra, compartilhando com a torcida, como se tivesse saído um gol. O Sport de Pablo provocou com um beijinho. O Náutico de Arnaldo respondeu com uma bicuda. O Sport tem mais time. O Náutico teve mais fome.